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Beatriz GuimarãesEnglish
2 min de leitura

Rede de champions: o mecanismo mais subestimado da gestão da mudança

Como escolher, preparar e sustentar a rede que carrega a mudança quando o time de projeto não está na sala.

Change ManagementLiderançaPrática

Um plano de comunicação alcança todo mundo uma vez. Um champion alcança o time dele todos os dias. A diferença aparece na terceira semana depois do go-live, quando o e-mail bonito já foi esquecido e alguém precisa responder uma dúvida na hora.

Quem escolher

O erro clássico é escolher o mais entusiasmado, ou pior, quem sobrou na agenda. O critério que uso é outro: quem as pessoas já procuram quando têm dúvida hoje, antes de qualquer projeto existir.

Esse papel informal já existe em todo time. Encontrar quem ocupa é mais eficiente do que criar do zero. Em geral não é o gestor, e frequentemente não é a pessoa mais sênior.

E vale incluir alguém cético. Um time de champions só com otimistas não me traz informação nenhuma: eles vão dizer que está tudo bem até o dia em que não está.

O combinado

Champion não é mensageiro. Se o papel for só repassar comunicado, a pessoa perde a credibilidade que a tornou útil. O que combino é explícito:

  • Ela recebe a informação antes do restante do time, para não ser pega de surpresa na frente de quem confia nela.
  • Ela pode discordar comigo em particular, e eu levo isso a sério.
  • Ela não é responsável por convencer ninguém. É responsável por traduzir e por me contar o que está ouvindo.

O que dar para eles

Muito menos slide e muito mais resposta. Na prática funcionam três coisas: um material curto com o "por quê" da mudança em linguagem de operação, um FAQ com as perguntas difíceis respondidas de verdade, e um canal direto comigo com resposta rápida.

Um FAQ que evita a pergunta difícil destrói a rede. Se a resposta honesta é "essa decisão ainda não foi tomada", é isso que tem que estar escrito.

O ritmo

Encontro curto e frequente vale mais do que reunião longa e rara. Trinta minutos por semana durante a fase crítica, com uma pauta simples: o que você está ouvindo, o que travou, o que eu preciso resolver até a semana que vem.

Essa terceira pergunta é a que sustenta a rede. Se o que eles trazem nunca vira ação, eles param de trazer, e aí eu perco o único sensor confiável que tenho.

O que isso me deu na prática

No projeto de TMS, a rede de champions foi o que segurou o suporte de primeiro nível na virada. Mais de cem transportadoras impactadas e cerca de setenta pessoas diretamente envolvidas não se sustentam com um canal central de dúvidas. Se cada dúvida tivesse que subir até o time de projeto, a fila teria travado a operação no primeiro dia.

O erro que eu já cometi

Montar a rede tarde. Champion convocado duas semanas antes do go-live é plateia, não rede. A construção precisa começar junto com a análise de impacto, quando ainda dá tempo de a opinião dele mudar alguma coisa no desenho.

Escrito por Beatriz Guimarães, HR Business Partner e especialista em change management. LinkedIn

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